Energia limpa e renovável em um clique


A CleanClic, com Sicoob e Ciclos, desenvolveu sistema pioneiro de gestão de créditos de energia solar. O maior complexo de geração de energia compartilhada do País fica em Ibiraçu.

Vivemos em um contexto em que tudo é compartilhado na sociedade e, assim como carro, estações de trabalho e bicicletas, já é possível usufruir da geração de energia compartilhada. Aqui no Espírito Santo, basta um clique para colocar a energia limpa e renovável ao alcance de todos.

A startup capixaba CleanClic desenvolveu um sistema pioneiro de gestão de créditos de energia solar para permitir ao consumidor ter acesso aos benefícios de uma usina de geração compartilhada. A CleanClic, em parceria com o Sicoob do Espírito Santo e a “cooperativa de plataforma” Ciclos, iniciou a operação do maior complexo de geração de energia solar compartilhada do Brasil no munícipio de Ibiraçu, Norte do Estado.


Leia também: Ifes Serra terá área para negócios de base tecnológica


A usina compartilha energia para 95 agências do Sicoob, para a cooperativa agropecuária Coopeavi, que abriga os painéis solares, e ainda para 75 pessoas físicas, num projeto-piloto para cooperados da Ciclos. Ou seja, a cooperativa de crédito passou a oferecer outro produto que não é financeiro – a energia. E toda a gestão, representação e compensação de valores na conta de luz de cada cooperado é feita pela startup CleanClic.

Em Ibiraçu, o maior complexo de geração de energia solar compartilhada do Brasil, que atende 95 agências do Sicoob, a cooperativa da Coopeavi e 75 pessoas físicas (Fotos: Gabriel Schimit)

EXPANSÃO

A experiência do Sicoob em compartilhar energia para cooperativas começou com a usina de geração em Santa Maria de Jetibá, com capacidade de 34,6 kW/p, já utilizando o sistema de gestão e monitoramento da CleanClic. Ao identificar essa vocação, a CleanClic foi a primeira a ocupar o Ângulo Hub, laboratório de inovação do Sicoob, com o projeto para compartilhamento de energia.

A parceria resultou na segunda etapa do projeto com a construção da usina de Ibiraçu, de capacidade instalada para geração de 1.193 kW/p, que entrou em operação no mês de agosto. E o projeto não vai parar.

“A fase 3 prevê investimento de R$ 35 milhões nos próximos 12 meses para atender a 100% das agências do Sicoob do Espírito Santo e a 2.500 unidades consumidoras de associados da Ciclos”, anuncia Vitor Romero, CEO da CleanClic.

O foco da CleanClic é atender os 315 mil associados do Sicoob no Espírito Santo e ampliar a base de atendimento para todo o Brasil. Levando em conta somente o mercado de cooperativismo, são quase 13 milhões de cooperados no País.

“Este público passa a ter acesso imediato, a ter a oportunidade de aderir à geração de energia renovável pelo modelo de compartilhamento. A matriz energética fotovoltaica brasileira é de apenas 1,2%. Tem muito espaço para crescer na geração compartilhada e a CleanClic está pronta para atender a este mercado”, conclui Romero, que recentemente levou o case de Cooperativa de Plataformas para a Conferência Internacional de Cooperativismo de Plataforma, em Nova Iorque.

Vitor Romero, CEO da CleanClic (Foto: Divulgação)

Como funciona

O sistema de gestão dos créditos de energia permite aos associados de cooperativas terem acesso a uma energia limpa renovável, mesmo sem ter área própria ou telhado para instalação de um sistema fotovoltaico.

“Existem duas formas para participar do compartilhamento de energia: por adesão, assumindo uma cota participação do investimento na construção de uma usina, ou por assinatura, uma espécie de locação de parte da usina com o pagamento de valores mensais. A energia gerada pela usina é injetada na concessionária responsável pela distribuição naquela região, e esta quantidade gera um crédito em valores na conta do cooperado. A CleanClic faz a gestão e a operação de todo o processo”, explica Romero.

Economia

Além das vantagens ambientais, o modelo de geração compartilhada permite a previsibilidade dos gastos com energia e redução nos valores da conta de luz. Nos últimos 25 anos, o custo de energia para baixa tensão ficou 25% acima da inflação, ao passo que o investimento na geração compartilhada é previsível e se dilui em créditos na conta de luz todos os meses, que pode chegar a ter uma redução de até 80% do valor.

O modelo de negócio para a geração compartilhada está ancorado no marco regulatório da Energia no Brasil, que em 2015 abriu a possibilidade para cooperativas gerarem energia de fontes limpas e renováveis.

Na Alemanha, segundo conta Camila Japp, gerente de Projetos da DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas), existem 800 cooperativas envolvidas na geração compartilhada.

“O modelo aqui do Espírito Santo envolvendo cooperativas de crédito é inédito e vai servir de exemplo para o restante do País”, acredita.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *