Mulher tem salário 27% menor que homem no ES


Taxa de desemprego também é maior entre elas. Às vésperas do Dia da Mulher, é preciso lembrar que a data é de luta por direitos.

Movimentos pelo empoderamento feminino e pela igualdade de gêneros se fortalecem a cada dia. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a realidade mostra que o caminho ainda promete muita luta. Segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial, a desigualdade entre homens e mulheres vai demorar pelo menos 59 anos para desaparecer na América Latina.

O recém-publicado “Relatório Mundial sobre a Desigualdade de Gênero 2020” trouxe o Brasil na 92ª classificação entre 153 países. Globalmente, a desigualdade econômica entre homens e mulheres poderá demorar 257 anos para desaparecer.

Se por um lado o quadro é desanimador, por outro, iniciativas contra a desigualdade entre os gêneros são pontos de luz na escuridão. A Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, tem como um de seus objetivos de Desenvolvimento Sustentável “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.

O que a ONU defende é acabar com todas as formas de discriminação e violência, adotar políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas, garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis, entre outros pontos. As ações podem ser vistas em onumulheres.org.br.

Para a socióloga e mestre em História Política Munah Malek, que também faz parte do movimento Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), o significado do Dia da Mulher é luta, resistência, garantia de direitos e sobrevivência.

Ela comandou um bate-papo sobre comportamento, mulheres, movimentos feministas e trabalho a convite da Beta Rede, dia 6, na sede da empresa, na Enseada do Suá, em ação pelo Dia da Mulher.

Munah Malek: “Das empresas, devemos esperar que elas façam o que deve fazer a sociedade em transformação: garantir a igualdade entre homens e mulheres”

MERCADO DE TRABALHO

Uma das questões que mais incomoda com relação à desigualdade de gênero no mercado de trabalho é a equiparação salarial. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou que em 2019 as mulheres brasileiras dedicaram 21 horas semanais ao trabalho doméstico (ao passo que os homens dedicaram somente 10,5 horas), ganharam em média salário 22% inferior ao dos homens e tiveram taxa de desemprego quatro pontos superior ao sexo masculino.

A diretora-executiva de Diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Cynthia Molina, ressalta que, no Espírito Santo, a mulher ganha 27% menos que o homem.

“Enquanto a mulher ganha uma média de R$ 1.738,00, o homem chega a R$ 2.372,00. A mulher fica numa situação de desvantagem quanto às oportunidades de trabalho, principalmente num ambiente de homens machistas, brancos, de ciências exatas”, relata.

A boa notícia é que há empresas buscando soluções para diminuir esse abismo. A ArcelorMittal Brasil aderiu, no último dia 4, aos Princípios de Empoderamento Feminino da ONU Mulheres. Com isso, a companhia assume o compromisso de seguir os sete princípios de empoderamento feminino: estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero; tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho; garantir saúde, segurança e bem-estar de mulheres e homens na empresa; promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres; apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento; promover igualdade de gênero por meio do ativismo social e documentar e publicar progressos da empresa nesta área.

No Espírito Santo, outras iniciativas se destacam. A Vale tem movimentos consolidados de empoderamento feminino e em 2019 estabeleceu a meta de dobrar o número de mulheres que trabalham na empresa até 2030, passando de 13% para 26%. Já na Suzano, as mulheres se reúnem em grupos de afinidade para tratar dos temas que as incomodam.

“As empresas estão preocupadas, estão assinando compromissos. Para que alguma mudança aconteça, é preciso respeito e valorização. Está dentro do escopo da ABRH mostrar a questão da equidade de forma mais contundente para que o assunto esteja na pauta das empresas”, afirma Cynthia.

O Índice de Igualdade de Gênero (GEI) de 2020 da Bloomberg, divulgado em janeiro, mostra que companhias lideradas por uma CEO têm mais mulheres em cargos de gerência sênior do que as empresas com um homem na direção. A sondagem aponta ainda que organizações lideradas por mulheres têm mais mulheres entre os 10% mais remunerados. Empresas como Itaú Unibanco, Bradesco, Banco Santander, Goldman Sachs e Nestlé participam do GEI.

TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

A socióloga Munah Malek acredita que empresas privadas não são agentes da transformação social, apenas devem refletir as mudanças.

“Das empresas, devemos esperar que elas façam o que deve fazer a sociedade em transformação: garantir a igualdade entre homens e mulheres. Simples, mulheres devem ser igualmente pagas pelo mesmo trabalho que homens, ocupar cargos de chefia, não terem suas competências medidas de acordo com a aparência física, não devem ser assediadas, estupradas e humilhadas”, ressalta.

E completa: “o que as empresas privadas podem (e devem fazer) é se posicionar frente às questões trabalhistas, principalmente. Devem garantir mulheres em seus quadros, respeitar as mães, ofertar espaço adequado para amamentação, auxílio creche e flexibilidade de carga horária”.

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