É forte a necessidade de nos entendermos enquanto ecossistema


Numa análise dos impactos da pandemia nas empresas, o empreendedor e especialista em inovação, Leonardo Carraretto, reflete sobre caminhos para seguir adiante.

Ele é empreendedor, palestrante, autor e especialista em inovação e aprendizagem corporativa. Leonardo Carraretto, CEO da Wis Educação, reflete, nesta entrevista, sobre os efeitos da pandemia nas empresas, e aponta mudanças de comportamento que podem auxiliar empreendedores a atravessar a crise com menos arranhões. “Estamos falando, pela primeira vez, de impacto e proporções globais de verdade. O que tenho evidenciado em várias conversas, com várias lideranças, é que precisaremos nos observar antes de agir”, diz.

Para ele, o empreendedor com maiores chances de sobreviver, e até mesmo prosperar neste momento, precisa ter em si um bom senso de oportunidade. Com mudanças substanciais na forma de trabalhar, o empresário precisa de novas ferramentas, já que os recursos utilizados no pré-pandemia podem não servir para a nova realidade. “Será necessário reconstruir completamente. E isso, poucos, muito poucos, entendem porque é dolorido ter que abrir mão”.

Como empreendedor e especialista em inovação, como você acredita que o empresário deve encarar a crise causada pela pandemia da Covid-19?

Eu sempre recorro aquela velha metáfora que diz que em japonês, a palavra CRISE (WEI-JI) é a junção das palavras perigo e oportunidade. É exatamente assim que eu acredito que o empresário deve responder a este momento. Porém é claro que esta não é mais uma crise da qual o brasileiro já é mestre e doutor. Também não é uma crise de baixos reflexos. A máxima que todos reproduzem atualmente, o novo normal, é muito mais complexa do que podemos expressar em um chavão. Estamos falando pela primeira vez de impacto e proporções globais de verdade. O que tenho evidenciado em várias conversas, com várias lideranças é que precisaremos nos observar antes de agir. E quando falo nos observar falo também nos transformar. Falo sempre que qualquer mudança no CNPJ é precedida por uma mudança no CPF. Logo, o empresário não vai poder usar as ferramentas, os recursos, o conhecimento que usava até março para esse novo momento. Será necessário reconstruir completamente. E isso poucos, muito poucos entendem porque é dolorido ter que abrir mão.

Você acredita que o momento é oportuno para encontrar novas formas de empreender?

Sem dúvida! É preciso, enquanto empreendedor, observar este momento em duas etapas: o que eu estou fazendo hoje e que me permite reagir e continuar meus negócios, e qual será a demanda após um fim deste isolamento, seja de qual forma ele se dê. Teremos novas demandas de consumo, novas necessidades e que serão grandiosas oportunidades.

Na sua opinião, qual o perfil do empreendedor com mais chances de sobreviver à crise?

O empreendedor que pode sobreviver e até mesmo prosperar neste momento será uma boa mistura daquele que tiver um bom senso de oportunidade, somado a agilidade, que muitos acham que se trata de velocidade, mas agilidade está mais ligado a adaptação, e eu não poderia deixar de citar a capacidade de aprendizado, que traz como competência várias outras habilidades como curiosidade, humildade e a garra de testar, errar e melhorar sempre.

Qual o poder da colaboração no processo de conter os impactos da pandemia e de se reerguer quando tudo isso amenizar?

É bem forte a necessidade de nos entendermos enquanto ecossistema para que todo o ambiente de negócios se restabeleça mais rápido. Quando a gente entende que fazemos parte de um ambiente colaborativo e não competitivo, onde as minhas ações e reações devem fortalecer o todo e não derrubar o próximo, nós conseguimos alcançar esse estado. É bem difícil porque a maioria dos negócios ainda entende que precisa que alguém perca para que o outro ganhe, ou que é necessário dominar o máximo de territórios de negócios. Cada vez mais, tem sido descartado o uso de grupos empresariais em face de relações de ecossistema, onde todos são especialistas no que fazem e entregam o maior valor possível, e há a sinergia entre o meio. Acredito que no pós-pandemia isso se tornará mais real para todos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *