Apoio psicológico: ferramenta para enfrentar a pandemia de forma mais leve


A nova realidade imposta pela pandemia da Covid-19 coloca o ser humano diante de situações e sentimentos extremos. A sensação aparente de onipotência, antes comum à maioria de nós, dá lugar à impotência. De um dia para o outro, a sensação é de ver o controle fugir das mãos. “A pandemia atravessa cada um de nós, provocando uma descontinuidade. Os projetos têm que ser interrompidos, as viagens, os casamentos. A realidade de cada um é invadida. Acontece uma ruptura na existência de cada um. Estamos diante de algo que é difícil para o ser humano: a incerteza. Para nós, ficar diante disso produz angústia”, explica a psicóloga Arielle Nascimento.

Um relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no último mês, alerta que pandemia do novo coronavírus pode desencadear uma crise de saúde que causa problemas psicológicos associados ao luto, medo de doenças ou desemprego. Segundo o documento, o problema está relacionado ao medo de ser contaminado ou que a doença contamine alguém da família. Em uma coletiva virtual, a diretora de saúde mental da Organização Mundial de Saúde (OMS), Devora Kestel, ressaltou que “o medo, a incerteza e a turbulência econômica podem gerar sofrimento psicológico”.

Ao se deparar com a própria finitude e vulnerabilidade, a sociedade precisa lidar com um incômodo nó na garganta. “Esse mal-estar afeta cada um de forma muito singular. Abrir um espaço para a escuta pode ajudar. Apesar de estarmos escassos de encontros, podemos encontrar saídas. Que recursos temos para lidar com o medo de morrer, com o pânico, o medo do invisível que pode estar em qualquer lugar, ou em lugar nenhum? Há aqueles que ficam em pânico, fixados nos números da doença. Há outros que estão em negação. São extremos que não nos ajudam, são antiprodutivos. A ponte entre esses extremos é conversar e reconhecer os medos e frustrações”, analisa Arielle.

Home office

Para a psicóloga, a magnitude da pandemia escancarou os imprevistos da vida e cada um responderá a isso de uma forma diferente. “Com apoio psicológico você trabalha ferramentas para que essa travessia seja a mais leve possível. Um pouco de ansiedade é compreensível, até porque te permite ficar em alerta. O cuidado é para que isso não vire uma crise”.

Ao ter acesso a estudos que mostravam que um dos grandes problemas que viriam com a crise causada pela Covid-19 seria a questão psicológica, o fundador e CEO da holding Beta Rede, Rimaldo de Sá, se antecipou. Líder de 40 colaboradores, Rimaldo criou um plano de contingência que inclui um encontro semanal da psicóloga Arielle Nascimento com todo o time.

“O que quis fazer foi dar orientação sobre como lidar com a situação gerada pela pandemia. A grande questão era como ia manter o time blindado. Eu via a dificuldade que eles tinham em se adaptar à nova situação, com toda a insegurança que ela trouxe. Busquei então o suporte para a equipe com a ajuda psicológica. O resultado não poderia ser melhor. A gente cria um processo de escuta e começa a exercitar a empatia”, revela.

A psicóloga reforça que é possível fazer intervenções terapêuticas com equipes inteiras em home office. “O suporte emocional é feito ao mesmo tempo com todos os integrantes. Alguns vão ficar à vontade, outros não. Mas, a fala de um vai permitir que outro possa aproveitar algo que foi dito. A cada semana faz-se o exercício de acolher, refletir, tentar ampliar as ferramentas dessa equipe”.

Em casa o desafio é, muitas vezes, ter que lidar por tanto tempo com os familiares ou com o cônjuge, por exemplo. Arielle pontua que nesse momento deve existir flexibilidade. “Quanto menos duro a gente for com a gente e com o outro, mais possibilidade de diminuir os conflitos. A diferença pode se tornar uma desavença se não houver diálogo. Momentos de crise, de mudanças abruptas, põem à prova os fundamentos que estavam ali para a família, para a equipe de trabalho. Nesse momento você vai colocar à prova essa estrutura”, diz.

O contato forçado que o isolamento social provoca dentro do lar, acentua questões antes não percebidas. “O contato com o real que a crise traz vai mostrar um casamento superparceiro e outro em que não em faz sentido estar juntos. A falta do espaço dá a chance de produzir questões e muitas oportunidades de encontrar formas outras de lidar com a vida, com o trabalho. É preciso colocar-se diante de sua história, de suas escolhas. O indivíduo pode estar diante de uma chance de rever algumas coisas na sua vida, coisas que estava levando sem saber por que, e partir para outros movimentos. Essa pode ser uma oportunidade de ampliar seus próprios caminhos”.

Encontre suporte:

SOS apoio emocional – (27) 99858-8280

Psicologia Para Todos – (27) 99667-3196

Zenklub.com.br

Vittude.com

Telavita.com.br

Psicologiaviva.com.br

Rededeapoiopsicologico.org.br (para trabalhadores da saúde)

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