WHTPPR e Maurício Prates: Ativistas mostram o poder da mobilização no socorro a comunidades vulneráveis na pandemia


Na segunda live com a temática “A Epidemia Invisível”, o jornalista capixaba reuniu cidadãos que fazem a diferença na construção do bem coletivo.

A segunda live do projeto “A Epidemia Invisível: sociedade e saúde na era da Covid-19”, uma iniciativa do jornalista Maurício Prates e do WhitepaperDocs com apoio da ArcelorMittal, foi inspiradora e poderosa. Os convidados da vez, a pedagoga social Cris Zeferina e o advogado Geferson Pedro, compartilharam suas experiências na mobilização em prol de comunidades vulneráveis, e mostraram que toda iniciativa faz diferença.

Ancorada pela psicóloga Arielle Nascimento, a live dá sequência a uma série de ações online com conteúdo sobre a pandemia e seus impactos do ponto vista social. “Estamos aqui para sustentar esse espaço de diálogo e discussão, no momento em que o nosso cenário exige menos pressa para analisar o que está acontecendo. Que a gente tenha mesmo espaços como esse, porque a delicadeza do momento exige uma certa atenção, que a gente se debruce para analisar o que está acontecendo em nós, como sujeito, mas também como coletividade”, ressalta.

Arielle salienta que a crise ampliou problemas existentes ao olhar desatento da sociedade. “A pandemia tem revelado questões que estavam entre nós muito antes da Covid-19. As múltiplas desigualdades pelas quais o nosso país atravessa, as injustiças sociais, a população vulnerável, isso nos faz ter que encarar não só as milhares de mortes, mas as milhões de vidas que têm sido amedrontadas pela fome, pela perda do emprego, pela falta de perspectiva. E é por isso que temos que pensar em saídas coletivas”.

Advogado, diretor da ONG Super Voluntários e cofundador da plataforma JuntosES, Geferson Pedro pontuou que a pandemia agravou bastante a situação já frágil de muitas comunidades. “O aumento da pobreza foi muito grande. Até hoje, passados cinco meses desde o início da pandemia, muitas famílias ainda não conseguiram receber auxílio emergencial, e estão dependendo exclusivamente dessas doações nas comunidades”, conta.

Acostumado a trabalhar em causas sociais, ele observa que existe uma tendência de ajudar comunidades carentes nas situações de emergência, mas que é preciso ter em mente que os problemas sociais acontecem nos 365 dias do ano. “Daí vem o papel da sociedade para ajudar a minimizar a desigualdade social. Os apoios precisam se manter constantes. Claro que em situações emergenciais as pessoas acabam atuando de forma mais significativa, mas o que faço aqui é uma provocação para que mudemos nossa forma de atuação, para que a gente pense mais no outro”.

E Geferson completa: “uma cesta básica permite que a pessoa não morra de fome, mas não promove nada além de combater a fome, porque não ajuda em outras questões como moradia e saúde. A gente precisa prestigiar trabalhos que já existem, que atuam em comunidades de periferias, e tentar levar uma vida digna para essas comunidades. É preciso enxergar onde podemos ajudar”.

Revolução coletiva

A pedagoga social, presidente do Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo e gestora de projetos sociais para a periferia, Cris Zeferina, diz que a chegada da pandemia em março fez com que muitos planos fossem deixados de lado para encarar a nova realidade. “No dia 16 de março o governador decretou isolamento social e no dia 17 a gente já parou para pensar no que iriamos fazer. Só quem realmente passa fome sabe a dor quando chega a escassez dentro de casa. Nós que passamos por isso sabemos o que os nossos vizinhos estavam passando naquele momento. Resolvemos então começar a campanha Favela contra o coronavírus, porque sabíamos que tínhamos que cuidar dos nossos idosos”.

Zeferina destaca que os integrantes do projeto subiram vários morros para entregar cestas básicas e kits higiênicos, e a campanha gerou muitos frutos positivos. Diversos coletivos começaram também a se organizar. “Conseguimos salvar o povo através do povo. O desemprego tem endereço e raça. A gente sabe quem são as pessoas desempregadas, que precisam colocar comida dentro de casa. Essas pessoas, em sua maioria, são mulheres. Fizemos então esse trabalho grande com as mulheres dentro da comunidade”.

A mobilização na comunidade gerou ações na rádio comunitária na Grande Maruípe sobre o coronavírus; fomentou renda para as costureiras locais com a confecção de máscaras; criou o projeto Vamos Juntos, de educação popular e comunitária, que buscou apoio com vários setores da sociedade; colocou em prática o Coletivo Beco; entre outros. “Arevolução é coletiva. Porque o que eu não posso a minha colega pode, e a gente vai formando essa rede. Tudo que aconteceu teve várias mãos. Mãos de pessoas físicas doando, acreditando no nosso trabalho. Foram várias mãozinhas para costurar e conseguir construir uma revolução neste momento de pandemia”, enfatiza Cris Zeferina.

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