O podcast acompanhou a demanda do distanciamento social


Ex-representante da ABPOD avalia o panorama do podcast no Brasil e no Espírito Santo. Ele acredita que a pandemia fez mais gente se interessar pelo formato

O podcast vem se consolidando no mercado publicitário e atraindo novos investimentos. É o que diz Renan Alves, ex-vice-presidente da Associação Brasileira de Podcasters (ABPOD) e membro fundador do grupo Produtores e Ouvintes Capixabas – POCA. Para Renan, o distanciamento social fez pessoas procurarem mais conteúdo e o formato podcast atendeu a essa procura.

Em 2018, a plataforma Spotify anunciou que investiria no formato e realizou uma transação de 200 milhões de dólares em compras de empresas do segmento. No ano seguinte, grandes veículos de comunicação passaram a oferecer conteúdo exclusivo para podcasts. Em 2020, o Brasil alcançava a marca de segundo país produtor de podcasts, de acordo com pesquisa do instituto Voxnest. Este ano, dados do instituto IAB com a Nielsen mostram perspectivas de aumento no investimento em streaming de áudio e podcasts no Brasil.

Neste cenário, convidamos Renan Alves para avaliar a situação do Espírito Santo e para dar um panorama sobre as transformações que estão impactando ou que podem impactar esta atividade atualmente.



Entrevista: Renan Alves


Ex-vice-presidente da ABPOD e membro fundador do grupo POCA

Na sua percepção, como o cenário de podcasts se desenvolveu nos últimos dois anos no Espírito Santo?

A popularização do termo “podcast” colaborou para novos produtores surgirem e despertou o interesse de diversos setores. Lojas, empreendedores, instituições de ensino, veículos de comunicação, indústrias… estão percebendo no podcast uma importante ferramenta de comunicação de seus valores, produtos e conteúdo. A exemplo disso, o SEBRAE-ES figurou entre as primeiras unidades a produzir seu próprio podcast e a prestar suporte à comunidade capixaba de produtores – e esse apoio, é importante lembrar, foi fundamental pra alavancar ainda mais os produtores locais e para fortalecer o ecossistema de podcast capixaba.

A pandemia e o distanciamento social trazem que tipo de perspectiva para o segmento?

No primeiro semestre de 2020, com as restrições da pandemia, muitos produtores relataram queda de audiência, atribuindo a isso a diminuição das atividades rotineiras de consumo do público – como ouvir podcasts no trânsito de casa para o trabalho, nas atividades físicas ou fazendo tarefas de baixa atenção. Entretanto, já no segundo semestre, os números de audiência não só se normalizaram como também houve crescimento da quantidade de programas. Durante o distanciamento social, muita gente encontrou uma oportunidade de se relacionar com o mundo através da produção de conteúdo e o podcast acompanhou essa demanda.

Como as atividades de produção, comercialização e veiculação de podcasts têm se adaptado a este momento?

A comercialização de podcasts ainda é desafiadora para produtores independentes, pois isso exige habilidades que vão além das técnicas de produção. Sendo assim, muitos produtores necessitam de apoio na área comercial e de marketing para facilitar a sua integração com o mercado. Por outro lado, percebemos um crescimento da demanda de empresas e pequenos empreendedores, que também querem começar a produzir seus podcasts.

Quais foram as últimas transformações ocasionadas no segmento de podcasts?

Atualmente, estão surgindo movimentações de remuneração das plataformas de distribuição. Essa é uma das transformações que mais geram expectativas no mercado independente, pois se refere ao aumento de oportunidades das inserções dinâmicas de anúncios. Para isso, basta que determinado programa esteja inserido em redes que ofereçam esses recursos, como as plataformas Spreaker, Spotify, Omny Studio, Youtube, entre outras. Essa opção abre oportunidade de monetização para os podcasts como já existe para blogs e vídeos online.

Qual a importância do Espírito Santo no segmento brasileiro de podcast?

O Espírito Santo tem alcançado destaque em ações de organização do segmento. Em 2017, criamos o grupo de “Produtores e Ouvintes Capixabas – POCA” onde temos o objetivo de colaboração mútua na difusão de informações e crescimento profissional de produtores. O ES realiza também, desde 2017, o evento anual “Seminário de Podcasts do ES”, evento com o objetivo de fomentar debates e discussões de desenvolvimento da mídia, sendo o primeiro estado do país a realizar eventos dessa natureza. Em 2019 eu, que moro em Vila Velha, assumi a vice-presidência da Associação Brasileira de Podcasters – ABPOD, onde pude visitar outros estados brasileiros para falar sobre produção e mercado e apresentar a ABPOD a partir das experiências vividas aqui no ES. A criação do grupo POCA serviu de incentivo para a criação de grupos da mesma natureza nos estados de MG, RJ, PR e BA.

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