ESG: Prática alcança empresas fora do mercado de capital aberto


Companhias de capital fechado no Espírito Santo buscam implementar a filosofia “Environmental, Social and Governance” (Ambiental, Social e Governança)

Cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social e adotar boas práticas de governança são os pilares do conceito ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança). A sigla surgiu em 2004 na iniciativa Who Cares Wins, da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com instituições financeiras. A ideia era unir as instituições de vários países para encontrar formas de inserir o tema no mercado financeiro.

O ESG é como um selo de qualidade para a empresa. Por meio do resultado da análise ambiental, social e de governança, é possível determinar como uma corporação se posiciona em relação à sociedade e ao planeta.

Exemplo capixaba

Apesar da prática de ESG ser utilizada principalmente por empresas que atuam no mercado financeiro, algumas companhias que não possuem capital aberto já buscam implementar essa filosofia. É o caso da Marca Ambiental, empresa de tratamento de resíduos sólidos do Espírito Santo, que aplica elementos de ESG desde 2006.

De acordo com Mirela Chiapani Souto, gestora de Comunicação Institucional da empresa, a própria natureza da atividade exercida levou o empreendimento a focar nesses aspectos. “Nossa empresa já nasceu com esse DNA. As práticas sustentáveis são inerentes ao nosso negócio. No modelo ESG, na prática, temos um sistema de gestão ambiental, com um parque de eco indústrias, com ações educacionais e de governança, já que há nove empresas que trabalham dentro do parque, além do cuidado com a própria gestão interna dos resíduos sólidos da empresa”, relata.

Mirela, que é especialista em Gerenciamento Avançado de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e recentemente concluiu o curso de Gestão Integrada ESG pela Escola de Negócios da PUC/RJ, destaca que o programa de educação ambiental da empresa é realizado com os funcionários e com a comunidade de Nova Rosa da Penha, em Cariacica. “Temos representatividade em conselhos populares, fazemos um trabalho de educação ambiental e de cultura com 465 crianças da comunidade, pois sabemos que essa relação comunitária é muito importante.”

Para ela, a prática do ESG será comum às empresas por diferenciá-las no mercado:

“Práticas com ênfase em ESG estarão na ordem do dia das empresas em breve por representar um diferencial e colocá-las em evidência no mundo corporativo, principalmente as que recebem investimentos.”

Mirela Chiapani Souto – Marca Ambiental

Millennials

A importância do ESG se evidencia pelos padrões comportamentais da juventude: estudos indicam que 75% dos millenials dão prioridade a trabalhar em uma empresa socialmente responsável. Para esses jovens, ter o salário mais alto não é o fator mais impactante em sua jornada profissional.

Tendência

Segundo dados da Global Sustainable Investment Alliance, os investimentos responsáveis representam 36% dos ativos totais no mundo. Esse movimento tem impactado até mesmo grandes e poderosas companhias. A Apple, por exemplo, anunciou que pretende neutralizar toda a sua emissão de carbono até 2030. Essa iniciativa fez com que outras empresas, como a Microsoft, seguissem o mesmo rumo.

Impacto

A preocupação com um mundo mais sustentável é cada vez mais evidente e foi consolidada pela ONU a partir da elaboração de um documento chamado Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nele, são previstas metas a serem atingidas ao longo dos anos. Essa preocupação também representou uma mudança para o mundo dos investimentos.

Ao levar em consideração fatores ambientais, sociais e de governança, validados pelo ESG, investidores, analistas financeiros e fundos de investimento podem escolher as empresas que vão receber seu dinheiro. O momento criou até uma nova categoria: os Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR), onde os investidores utilizam o padrão ESG para tomada de decisões.

A busca por investimentos em empresas mais sustentáveis e de acordo com as demandas do século XXI cresceu a ponto de a bolsa de valores brasileira divulgar quais são as empresas mais adaptadas ao ESG por meio do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Um reflexo das mudanças que o ESG vem causando é que o primeiro semestre de 2020 foi marcado pelo investimento de mais de R$ 10 bilhões do fundo Venture Capital em 112 empresas brasileiras. Essa modalidade de investimento é focada em empresas de até médio porte com alto potencial de crescimento.

Os fatores ambientais, sociais e de governança reunidos na sigla ESG integram um papel importante na análise e são requisitos essenciais para esses investimentos. A empresa de cashback Méliuz é uma das fintechs que recebeu investimentos de capital venture com base em suas propostas e boas práticas. Além dela, também podemos citar startups de sucesso como a 99 e o Nubank.

ESG no Brasil

Em janeiro, o Santander Equity Research da América Latina divulgou uma pesquisa sobre o ESG no Brasil e criou um portfólio com 14 empresas que seguem essas premissas. Dentre as elencadas estão Magazine Luiza, Itaú e Localiza, entre outras.

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 70% dos investidores locais possuem ou estão desenvolvendo uma política de investimento sustentável — ao passo que, dentre as 100 maiores empresas do Brasil, 85 têm políticas ESG baseadas em estruturas globais.

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