Prioridade é tornar o Espírito Santo o melhor ambiente de negócios para empresas de inovação


Por João Vitor Castro, participante da oficina de Jornalismo Innovation Writing, realizada pelo WhitepaperDocs em parceria com Sebrae-ES, Sicoob e Hub Fucape.

No primeiro dia do ESX – Espírito Santo Innovation Experience, o maior evento de inovação do Espírito Santo, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann, afirmou que a prioridade é tornar o Espírito Santo o melhor ambiente de negócios para empresas dos setores de inovação, estimulando o grande desenvolvimento que está por vir relacionado à indústria e ao serviço de base tecnológica.

Ao WhitepaperDocs, ele acrescentou que a junção das secretarias de Estado do Desenvolvimento Econômico com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, criando a Sectides, já é um indicativo de que o caminho para o desenvolvimento econômico, social e sustentável está baseado na ciência, na tecnologia e na inovação.

Hoffmann destacou as principais iniciativas do governo do Estado, como a criação do Sistema Universidade do Espírito Santo (UniversidadES) e o Fundo Soberano, o primeiro fundo público do País que atua administrando recursos da produção petroleira para investir em empresas de setores inovadores e na economia criativa. Confira:

Entrevista: Tyago Hoffmann

Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico

No mês de novembro, o governo do Estado lançou o Sistema Universidade do Espírito Santo – o UniversidadES, que prevê a criação inicial de mil vagas de graduação e pós-graduação nas áreas de ciências, tecnologia, artes, matemática e engenharia. Poderia me explicar como a oferta dos cursos funcionará e de que forma essa iniciativa deve impactar o ecossistema de inovação capixaba? 

Tyago Hoffmann: O sistema da universidade tem como objetivo anterior a ele organizar todas as estratégias, ações e programas que o governo do Estado já tem na área da graduação e pós-graduação. Isso inclui os laboratórios de pesquisa, a Fames, que é a nossa escola de música, os cursos de nível superior, seja da academia de polícia da Polícia Civil, seja no curso de formação de oficiais da Polícia Militar, seja o Nossa Bolsa, que é a compra de bolsas que o Estado faz da iniciativa privada, em conjunto ainda com outras atividades que já existem e que nós estamos organizando através de um convênio que vai gerar sinergia entre essas áreas. O segundo ponto é que nós estamos criando a Universidade Aberta Capixaba, e ela vai, em primeiro lugar, entrar na área de ensino, com cursos de graduação e pós-graduação. Pós-graduação nós vamos começar no início do ano que vem e, graduação, no meio do ano que vem. Os cursos começarão de forma semipresencial, eles serão ofertados de forma híbrida, na maior parte do tempo de forma online e com algumas atividades cumpridas de forma presencial, e as atividades presenciais serão cumpridas nos polos da Universidade Aberta do Brasil, que no Espírito Santo nós temos aproximadamente 35 polos. Nós vamos usar todos os polos. Fora isso, a Universidade também vai entrar na parte de pesquisa, financiando bolsas de estudo.Tanto a graduação e pós-graduação quanto as pesquisas a serem realizadas são pesquisas no modelo americano da sigla STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts, Mathematics). Então a nossa universidade tem esse foco e ele vai estar também em tudo que for pesquisa e grupo de pesquisa que a Universidade venha a criar ou financiar. Isso impacta o nosso ambiente de inovação não no curtíssimo prazo, porque ela acabou de ser criada, mas com a sua maturação, ela vai impactar de forma decisiva, porque ela se incorpora no circuito já existente de mobilização capixaba pela inovação, que já inclui a Ufes, o Ifes, as instituições privadas, a Findes, as grandes empresas capixabas, então já há um circuito acontecendo e a universidade se incorpora nesse circuito de inovação.

O Fundo Soberano do Espírito Santo é o primeiro Fundo Soberano estadual do País. Essa é uma estratégia ousada para alavancar o ecossistema capixaba. Qual o principal objetivo dessa medida e de que forma, exatamente, ela auxilia o desenvolvimento do ambiente de inovação no Estado?

Tyago Hoffmann: O Fundo Soberano tem como um dos seus focos o investimento em tecnologia, empresas do ramo de tecnologia e startups. Então com certeza, nos próximos anos, vai ser um importante instrumento de desenvolvimento de empresas da chamada indústria 4.0. Ele pode até operar em indústrias e setores mais tradicionais da economia capixaba, mas o foco e a prioridade é para as indústrias que apontam para o futuro, com a indústria 4.0, que tem a inovação, a tecnologia e a sustentabilidade ambiental no centro dos seus processos produtivos. Então o Fundo Soberano vai apontar nessa direção. Vai também entrar em setores tradicionais, mas vai ter sempre o objetivo de priorizar esses setores de inovação.

Em que contexto o fundo surgiu, ou seja, quais foram as falhas percebidas para que essa solução fosse desenvolvida, e quais são as expectativas para os próximos anos?

Tyago Hoffmann: O Fundo Soberano surge de uma visão clara do nosso governador Renato Casagrande da necessidade de nós criarmos uma reserva para o futuro. Esse dinheiro vem 100% da economia de petróleo, e nós sabemos que o petróleo é finito, consequentemente nós precisamos economizar uma parte do dinheiro do petróleo para as gerações futuras. A gente guarda parte desse dinheiro numa poupança e outra parte nós vamos colocar em empresas do futuro, para render e voltar para o fundo, para que cresça a cada dia. E nossas expectativas são de que nos próximos anos o Fundo Soberano vai injetar bilhões de reais na economia do Espírito Santo e isso vai fazer com que a gente dinamize a nossa economia, com que a gente faça a nossa economia crescer ainda mais. E lembrando: sempre com foco nas indústrias e nas empresas inovadoras.

O senhor afirma que o processo de reindustrialização do Espírito Santo deve passar pelo investimento em empresas de tecnologia. Como está sendo esse processo e o que se pretende transformar? Qual é o cenário hoje e como será o cenário com a reindustrialização em base tecnológica?

Tyago Hoffmann: Eu digo não só a industrialização. A industrialização é uma parte disso, mas a prestação de serviço de base tecnológica também. Claro que a indústria é a maior geradora de empregos, a maior geradora de valor agregado, então a indústria é muito importante, não tenho a menor dúvida, mas a gente também observa que você pode ter aí um crescimento grande dos serviços de base tecnológica. O que a gente tem feito é criar um planejamento para tornar o Espírito Santo o Estado com o melhor ambiente de negócio para as empresas dos setores inovadores, esse é o foco. Queremos que quando uma empresa dessa surgir aqui ou mesmo as que já surgiram em outros estados ou em outras partes do mundo vejam no Espírito Santo um local de expansão ou um local para trazer suas atividades como um todo. Esse é o objetivo de nos unirmos aos esforços do MCI (Mobilização Capixaba pela Inovação). Eu sou o presidente do MCI, como secretário, e essa é uma prioridade que o governador colocou para mim quando eu vim para cá, e nós temos trabalhado nessa direção: qualificação profissional nessas áreas, porque é preciso ter oportunidade para os capixabas e ambiência de negócios, que inclui financiamento, legislação com redução de ICMS e diversos tipos de estímulo para que a gente possa fazer crescer esse segmento aqui no Estado.

Quais são as principais ações da Sectides para o desenvolvimento do ecossistema de inovação capixaba? De que forma a Secretaria atua de maneira conjunta com o MCI?

Tyago Hoffmann: A Sectides faz parte do MCI, está lá presente com a presidência do MCI, mas também com a presença da Fapes, que é uma importante instituição, que nos auxilia tanto no MCI quanto na nossa iniciativa em geral, no que tange a ciência, tecnologia e inovação. Então a secretaria tem no seu DNA ciência, tecnologia e inovação, tanto na sua participação no MCI quanto nas suas atividades cotidianas. Por exemplo: nós organizamos esse ano a Jornada de Ciência e Tecnologia, e não mais só a Semana de Ciência e Tecnologia, então nós fizemos um crescimento muito grande integrando as iniciativas que já existiam na Semana, que são do governo, com as da iniciativa privada, da Ufes, do Ifes. Criamos uma jornada que integra um conjunto grande de ações que vão fazendo crescer esse habitat cada vez mais. Agora estamos com o ESX em andamento. A secretaria é co-realizadora do ESX, junto com o Sebrae e com o MCI, então nós estamos participando ativamente com presença, incentivo, estímulo e organização. O papel da secretaria é ajudar a organizar essa ambiência.

O Espírito Santo hoje está muito bem posicionado nos investimentos em inovação. É possível afirmar que, proporcionalmente à população, é o Estado que mais investe em inovação no país?

Tyago Hoffmann: Hoje a gente pode afirmar que, em números absolutos, o Estado está entre os três que mais investem, com certeza. Em números relativos eu não tenho essa conta aqui para te afirmar, mas é bem possível que estejamos ou entre os dois ou entre os três que mais investem, sim. E esse investimento é um investimento crescente. Nós temos o Funcitec, que é abastecido com uma parte do ICMS que o Estado arrecada, é um fundo de ciência e tecnologia. O Estado tem fonte de financiamento, tem recurso e tem feito o seu papel nessas áreas.

Qual a importância do Programa Centelha na criação de empreendimentos inovadores e na cultura empreendedora do Estado?

Tyago Hoffmann: O Centelha se incorpora a diversos programas, porque uma startup às vezes surge a partir de uma ideia, só que entre ter uma grande ideia e essa ideia se transformar numa nota fiscal, há um caminho a ser percorrido. Tem que haver gestão, tem que haver marketing, no sentido amplo da palavra, de mercado, tem que haver publicidade, tem que haver financiamento, uma série de coisas para que uma grande ideia se transforme de fato. Então o Centelha se incorpora nesse esforço que é transformarmos ideias e projetos incipientes em projetos maduros, como se incorporam as incubadoras que nós temos, como se incorporam as incubadoras da iniciativa privada, então tem um esforço acontecendo no Estado. Eu não gosto de falar só do esforço do governo. O governo lidera, ajuda a liderar um esforço da sociedade capixaba pela inovação, e o Centelha se incorpora nesse esforço para que a gente crie esse amadurecimento dessas startups capixabas.

O senhor acredita que o caminho para o desenvolvimento econômico, social e sustentável está baseado na ciência, na tecnologia e na inovação? 

Tyago Hoffmann: Não tenho a menor dúvida. Tanto é que a secretaria é fruto dessa ideia e dessa observação do nosso governador. Juntar o desenvolvimento econômico com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação já é um apontamento nessa direção que você coloca.

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